quarta-feira, 6 de maio de 2009

Resnais: Oh, Paris!

Recentemente tive a oportunidade de assistir a esse divertido e excelente filme de um dos maiores nomes do cinema francês: Alain Resnais. Diretor de obras consagradas como Hiroshima Mon Amour e Ano Passado em Marienbad, o diretor demonstra toda sua versatilidade e criatividade nesse divertidíssimo e agradável filme sobre amores e vidas que se cruzam na apaixonante capital francesa. O filme começa no ano de 1944, no Q.G. do General alemão Dietrich von Choltitz, que desobedece a ordem direta de Hitler de explodir Paris. Na verdade em nenhum momento o filme voltara aos anos 40. É apenas para demonstrar o tanto que é apaixonante a capital. A película na verdade é sobre sete personagens que por ironia do destino se cruzam constantemente. Odile e Camile são duas irmãs, uma procura um novo apartamento, a outra está prestes a apresentar sua tese na universidade. O que elas não esperavam é que esses dois fatos marcariam de alguma forma suas vidas. No lugar de vários diálogos, Resnais coloca canções de diversas épocas, na forma de que os personagens estivessem executando-as. Como alguns dizem: "um musical, para quem não gosta de musicais". Mas taxar esse longa de musical, seria um pecado e tanto. Enfim, um filme divertidíssimo, sem muita pretensão, e que merece ser apreciado.

AMORES PARISIENSES
Título Original: On Connait la Chanson
Ano: 1997
País: França
Elenco:
Pierre Arditi, Sabine Azéma, Jean-Pierre Bacri, André Dussollier, Agnès Jaoui, Lambert Wilson, Jane Birkin, Jean-Paul Roussillon, Götz Burger, Nelly Borgeaud

Nota:



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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Visconti: Declínio da Sociedade Alemã.

Luchino Visconti é ao lado de Sergio Leone, meu diretor italiano favorito. Imaginando que depois de assistir "O Leopardo", "Morte em Veneza" e "Rocco e seus Irmãos", dificilmente ainda me surpreenderia com o diretor. Esse feriadão tive a oportunidade de assistir a essa grande obra (ainda inédita em DVD no Brasil), não da melhor forma possível, pois assisti uma cópia escura e fora de ser formato original (Widescreen), mas mesmo assim, não consegui desgrudar os olhos nenhum momento, nessa trama cheio de traições e assassinatos. Tudo começa quando o Barão Joachim Von Essenbeck, realiza um jantar para avisar que se afastará do comando de sua usina de aço. Após o jantar ele é assassinato e seu filho mais velho é o principal acusado. A partir daí inicia uma luta pelo comando da usina. Luchino nos mostra a degradação da sociedade alemã e a subida dos nazistas ao poder, criando uma atmosfera pesada, misturando ficção e história. Um filme exepcional que merece destaque na excelente filmografia de Visconti. O elenco conta com Dirk Bogarde (Morte em Veneza), Ingrid Thulin (Morangos Silvestres), Helmut Griem (Berlin Alexanderplatz) entre outros, além da excelente interpretação de Helmut Berger (Ludwig). Ambientes escuros, ligado a ótima trilha sonora de Maurice Jarre, faz deste um filme importante para compreender toda a genialidade de Luchino Visconti.

OS DEUSES MALDITOS
Título Original: La Caduta Degli Dei
Ano: 1969
País: Itália / Alemanha
Elenco: Dirk Bogarde, Ingrid Thulin, Helmut Griem, Helmut Berger , Renaud Verley, Umberto Orsini, René Kol
dehoff, Albrecht Schönhals, Florinda Bolkan, Nora Ricci, Charlotte Rampling, Irina Wanka, Karin Mittendorf, Valentina Ricci, Wolfgang Hillinger

Nota:



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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ford: Reflexão Social.

Em tempo de crise, como a que nos encontramos agora, nada como lembrar de um filme que retratou do modo mais humano possível a vida de quem mais sofreu (ou sofre) em tempo de crise: As classes baixas. Nos faz perguntar também qual filme mais humano já produzido? Podemos lembrar de vários títulos, mas quem assistiu a esse clássico dos anos 40, dirigido por um dos maiores diretores americanos, com certeza virá a mente. Dirigido por John Ford, esse clássico e sensível filme, nos leva ao mundo camponês durante a Grande Depressão. Baseado na obra de John Steinbeck, nele acompanhamos a dura volta pra casa de Tom (Henry Fonda), que após cumprir pena, volta e vê um mundo diferente daquele que deixou. A terra tomada pelos bancos, o obriga a migrar com sua família para outros estados, a procura de terra para trabalhar. O grande desafio é que centenas de outras famílias encontram-se na mesma situação e a procura por emprego torna-se algo de vida ou morte. Um filme bastante ousado para época por tratar de temas como distribuição de terras, exploração do trabalhador, migração, em um país em que uma década depois tratar de temas sociais seria taxado de comunista. O mais interessante é vermos um EUA, bem longe do "sonho americano". O elenco foi muito bem escolhido, nos presenteando com grandes atuações que nos tocam e nos faz refletir. Esse é sem dúvida um dos maiores trabalhos de Ford, que depois faria "Como Era Verde meu Vale", tratando também de questões sociais. Clássico absoluto.

Vinhas da Ira
Título Original: The Grapes of Wrath

Ano: 1940

País: Estados Unidos

Elenco: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, John Qualen, Charley Grapewin, Dorris Bowdon, Russell Simpson, O.Z. Whitehead, Eddie Quillan, Zeffie Tilbury


Nota:



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sábado, 7 de março de 2009

Melville: Matador Perfeccionista.

Com forte influência dos filmes noir dos anos 40 e 50 essa película do diretor francês Jean-Pierre Melville, transporta o gênero para a França pop dos anos 60. No filme acompanhamos o matador de aluguel Jef Costello (Alan Delon) na missão de matar um homem em um bar. Após cumprir a missão ele deixa várias testemunhas e acaba sendo perseguido pela policia e pelos bandidos que o contrataram. Podemos ver, tamanha qualidade do diretor. O figurino impecável dos atores e o cenário ligado a sonoridade do jazz e da atmosfera pop dos anos 60, nos transporta para a época. O filme que possui poucos diálogos, mas que várias cenas significam bem mais que palavras. Com diversas cena metáforicas como na cena do pássaro preso na gaiola que lembra o que o protagonista está vivenciando naquele momento, preso em um quarto de apartamento. O homem de chapéu e sobretudo, famoso nos filmes noir, volta a ser usado por Delon no filme. Delon que nessa década acabou criando um padrão de galã servindo de influência para as gerações seguintes. Enfim, um filme policial incrível com um final eletrizante marca esse que pode ser considerado um noir moderno.

O SAMURAI
Título Original: Le Samouraï
Ano: 1967
País: França
Elenco:
Alain Delon, François Périer, Nathalie Delon, Cathy Rosier, Jacques Leroy, Michel Boisrond

Nota:



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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Buñuel: Filhos do mundo.

Considero a fase mexicana , minha favorita do diretor espanhol Luis Buñuel que entre os filmes produzidos nessa época estão O Alucinado, Ensaio de um Crime, Viridiana, O Anjo Exterminador entre outros. Nesse filme produzido em 1950, Buñuel mostra de forma magistral o dia-a-dia de jovens infratores e a pobreza vivida por maioria da população mexicana. A estória tem foco no jovem Pedro, garoto renegado por sua mãe que o considera um vagabundo, que se vê influênciado por outro jovem mais velho chamada Jaibo. Após ser cúmplice de Jaibo em um assassinato, o jovem Pedro tenta mudar de vida, mais acaba sendo levado sempre para o lado do crime por seu antigo companheiro de pequenos delitos. O filme é um pioneiro em tratar do assunto de forma tão real e violenta, o final é o mais pessimista e trágico possivel. Buñuel acabou produzindo um final alternativo que pode ser encontrado no DVD lançado pela versátil, que também contém o curta "Terra sem pão" dirigido pelo mesmo. Sem dúvida é um filme magistral que deve não apenas ser visto, mas sim analisado e que serviu claramente de influência para que o diretor Hector Babenco realizar "Pixote - A Lei do Mais Fraco". Está película mostra por que a fase mexicana de Buñuel é tão aclamada e cultuada.

OS ESQUECIDOS
Título Original: Los Olvidados
Ano: 1950
País México
Elenco:
Alfonso Mejía, Estela Inda, Miguel Inclán, Roberto Cobo, Alma Delia Fuentes, Francisco Jambrina, Jesús Navarro, Efraín Arauz

Nota:

domingo, 8 de fevereiro de 2009

V de Vingança


V de Vingança (V for Vendetta, EUA/ Alemanha, 2005) O terrorismo ameaça mais uma vez a segurança pública. O governo tenta solucionar o problema declarando uma batalha silenciosa contra o terrorismo, ou melhor, contra o terrorista. Parece um roteiro atual, mas engana-se, baseado em uma história em quadrinhos lançada no final dos anos 80, por Alan Moore e David Lloyd, com perfil de Graphic Novel (HQ com estilo de novela gráfica), tornando-a algo bem sofisticado.

James McTeigue estreou com ousadia e propriedade como diretor em V de Vingança. Seu talento em retratar a realidade, denunciando, nessa obra, a arbitrariedade, a luta sem escrúpulo pelo poder, entre forças opressoras e manipuladores, terrorismo versus governo, da sociedade no determinado momento histórico. Sua proposta estética foi enriquecida com argumentação e co-produção dos irmãos Wachowski, os criadores de “Matrix”, reproduzindo a ambientação visual que Lloyd criou.

O filme trata uma Grã-Bretanha futurista, imersa em uma política facista, um justiceiro conhecido como V (Hugo Weaving) usa táticas terroristas para se opôr à sociedade. Quando resgata a jovem Evey Hammond (Natalie Portman) das mãos da polícia, ela se torna sua incomum aliada.

Profecia ou mera coincidência? A vida imita a arte.


Nota:

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Fellini: Uma Crise Criativa.

Poucos são os filmes em que se pode chamar de genial. 8 1/2 do diretor italiano Federico Fellini é uma dessas exceções. Guido (Marcello Mastroianni) é um diretor em crise de inspiração, e tem que dirigir um filme de ficção cientifica. Em plena crise matrimonial, ele tem que aguentar as exigências de seu produtor, as criticas de seu roteirista, um elenco complicado de se trabalhar e ainda sustentar uma amante. Ao contrario do protagonista, Fellini esbanja criatividade nesse filme onde lembranças da juventude de Guido se confundem com casos vividos pelo próprio diretor, que o considera uma autobiografia. Outro caso peculiar é que não a pausa entre o que está acontecendo com o personagem no momento com o seus pensamentos ou lembranças, em certos momentos ficamos confuso se aquilo está mesmo ocorrendo ou é apenas o que passa na cabeça do protagonista. Quando se fala em cenas marcantes esse filme é um prato cheio. Como não se impressionar com a abertura surreal ou a cena da casa das mulheres da vida de Guido, sendo ele o senhor de todas elas, entre tantas outras cenas incríveis. O elenco é outro fator que engrandece ainda mais o filme. Além de contar com a excelente interpretação de Marcello Mastroianni, conta também com a participação mais que especial da atriz Claudia Cardinale. Os personagens são ponto importantíssimo dessa obra, do protagonista ao "marinheiro dançante" é um componente que nos deixa com a impressão de estarmos vendo uma das obras mais geniais da sétima arte. A trilha sonora fica por conta do grande compositor e maestro Nino Rota. Felllini 8 1/2 é o tipo do filme que merece ser adquirido e essencial na prateleira de qualquer colecionador. O DVD lançado pela versátil é a nível da obra que possui, além da cópia do filme restaurada, ainda nos brinda com o documentário "Fellini, um Auto-Retrato", dirigido pelo próprio diretor.

FELLINI 8 ¹/2

Título Original: 8 ¹/2
Ano: 1963
País: Itália
Elenco:
Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Anouk Aimée, Sandra Milo, Rossella Falk

Nota:



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